Pelo título, eu acho que vcs acham que foi o papai que subiu a cratera do Stromboli (1,000 metros). Vcs estão mais-ou-menos certos. Sim, o papai subiu o Stromboli, ano passado. Mas eu, a mamãe, a Marina e o Ivan também, ontem.
Duas horas antes da grande caminhada eu tava pensando que tudo ia da certo.
Duas horas depois, quando a gente já tava preparando as bagagens, eu tive medo. E se eu não conseguisse? E se eu caisse no meio do caminho? E se eu acidentalmente caísse na cratera? E se eu, depois de tudo, não conseguisse fazer uma coisa pelo resto da minha vida? E se a mamãe, que ja está quebrada, se quebrasse toda? Isso só era metade dos meus medos, então eu chorei no ombro da mamãe, mas com medo do papai, por que eu achava que ele ia me achar uma covardezinha. Mas as circunstâncias me provaram exatamente o contrário. Já que o papai me disse que ele entendia o meu medo e que a vida ia me dar outras montanhas para subir, mas, ao contrário dessa, eu talvez não podia dizer se eu queria ou não. Ele também disse que isso ia ser uma experiência que eu nunca ia esquecer na minha vida inteira o que me encorajou muito. OBRIGADO PAI!!!!!!!!
Chegando ao dinghy, a gente teve que voltar uma vez para devolver os nossos aparelhos de dente ao papai. O pobrezinho parecia não achar nem pé nem cabeça nas nossas instruções. Acho que ele até esqueceu de colocar o aparelho nas caixinhas deles.
Quando chegamos a praia, eu e a Marina disparamos na frente, e só quando eu e ela estávamos bem na frente é que eu olhei para trás para encontrar a mamãe e o Ivan empurrando e puxando o dinghy monte acima. Era um espetáculo muito engraçado!
Chegando a uma parte ensolarada da praia, a mamãe e o Ivan pararam em uma pedra para botar o sapato, a Marina mangando do Ivan no “sapato de boneca” dele. Mas quando a gente chegou a loja de sapato para a caminhada, a Marina teve que testar três sapatos, e para receber o prêmio dela para todo esse trabalho, o Ivan disse “Quem tá de sapato de boneca agora, hã?”
Eu, a Marina e o Ivan desfilando nos rídiculos “sapatos de boneca”
A mamãe teve mais-ou-menos sorte: Ela não teve que usar os sapatos de boneca, mas ela teve que usar um sapato muito pior. Os sapatos de boneca podem ser feios mas eles são os naturais para caminhada.
Chegando a loja de mergulho e caminhada, a gente teve que esperar pelo menos uma hora, mas em recompensa, eu pude ir ao banheiro.
A mamãe tá aqui tirando foto de mim, da Marina, e do Ivan no começo da caminhada. Troquei de lugar com a Marina, e agora eu estou mangando do Ivan. Haha! É a vingança!
Depois a gente teve que voltar para a loja dos sapatos, já que algumas pessoas esperam alí. A gente teve que esperar um monte de tempo para a guia achar eles!
Aqui a mamãe tá tirando foto de mim com a ilha que paraece Askaban, a prisão dos magos em Harry Potter. Só um passatempo.
Aqui nessa foto, a gente já começou a caminhada e a guia está explicando as paradas que faremos para descansar e beber água. Ela também disse que as crianças devem ficar na frente. A Mamãe nos explicou que é porque as crianças geralmente andam mais devagar e se ficarmos na frente, o grupo inteiro também fica devagar. Se ficássemos atrás, íamos nos perder do grupo.
Estamos literalmente começando a caminhada. Eu e a Marina estamos com o espírito bem levantados. A Mamãe acha que não vai durar muito.
Uma hora depois, estamos gemendo como loucas! A gente está colocando os capacetes para nos proteger se as faíscas do vulcão tentarem nos atacar nas cabeças.
Em cima do vulcão, a neblina está forte e é difícil nos movimentar. Na primeira parada, ficamos em um círculo de pedra. Um cara desceu pelo lado íngreme do vulcão e a Mamãe deu um gritão e o guia deu um salto gigante em cima dela que ela ainda estava falando dias depois. Na segunda parada, ficamos em pé. As erupções do vulcão nos apiravam em todos os sentidos. A visão era espetacular de faíscas por todo o lugar. Parecia que o vulcão gritava a cada explosão igual a Mamãe. Mas para eu e a Marina, mesmo a visão sendo espetacular, o frio nos dominava e para mim apenas os tremores do vulcão me faziam levantar a cabeça. Quando finalmente o guia nos chamou para descer, silenciosamente, eu gritei: ALELUIA!
A descida era bem fácil com areia movediça que dava para descer bem rápido. Este parte era divertida. Mas logo começou a ficar pedregoso. A cada 20 minutos, o grupo tinha que parar para tirar a areia dos sapatos. Mesmo sendo o melhor dos sapatos não era anti-areia. Todo mundo estava com os espíritos bem levantados. Um senhor do grupo encontrou um arbusto de amoras selvagens e nos ofereceu. Mesmo se este gesto carinhoso me fez feliz, fiquei pensando que vi amoras em todas as plantas pelo resto do caminho.
Vou reportar como todo mundo estava. O Ivan estava saltando de monte em monte como um cabrito. Eu estava disparando na frente. A Marina estava querendo uma cama voadora para levá-la para o calorzinho do seu casulo. A Mamãe estava mancando e ficando para trás. Logo depois a Marina perdeu o capacete.
Lá na frente com o guia, eu estava bem só achando chato a estrada que nunca parecia terminar. A vista era sempre a mesma.
Quando a gente chegou à estrada aonde começamos a caminhada, eu comecei a ter medo de ficar sozinha. Chamei pela Mamãe, mas ninguém respondia. Felizmente, uma família de franceses percebeu o meu desespero. O pai ficou para ajudar a Mamãe a econtrar o caminho certo e sua esposo me acompanhou o resto do caminho.
Eu esperei pelo resto da família na escada e quando todos chegaram, a coisa mais percebida foi a Mamãe reclamando.
Caminhando pela praia, eu a ajudei pela margem da água. Também ajudei o Ivan a colocar o dinghy na água aonde ele perdeu os óculos.
Quando chegamos ao barco, não tinha ninguém para nos receber. Também não queríamos festinha. Só escovamos os dentes e tombamos na cama!
No dia seguinte, estava quase recuperada da longa caminhada. Mas ainda sentia uma dores nas pernas. Neste dia, o Papai levantou pela primeira vez a vela Parasailor. A vela da liberdade. A vela da lembrança da nossa caminhada inesquecível a cratera do Stromboli.